FLUXO DE MATERIAIS NO SUPRIMENTO




Benedito Ferreira Lima1

Felipe Avila da Silva Artmann2

Alexandre Marcondes Alves de Souza3

Alexandre Antunes Fernandes4

Renan Gonçalves de Faria5

Ten Cel QOINT Regio Marcos de Abreu6









RESUMO



Este trabalho exemplifica o fluxo de material aeronáutico no que tange a toda a parte logística do ciclo de suprimento reparável. É de vital importância que se tenha um Suprimento eficiente e eficaz, pois se os gestores de material conseguirem atingir este objetivo, com certeza terão uma otimização de custos e uma melhor operacionalidade da frota de aeronaves da Força Aérea Brasileira.


Palavras-chave: Gerenciamento; Manutenção; Parque Central; Parque Oficina; Sistema de Material Aeronáutico.





A defesa da pátria e a garantia dos poderes constitucionais é destinação das Forças Armadas. Para cumprimento dessa missão constitucional, objetivando a conquista e a manutenção do controle do espaço aéreo, bem como apoiar as forças de superfície para que todas as ações decisivas em um conflito sejam cumpridas com sucesso, deve a Força Aérea Brasileira (FAB) estar organizada, preparada e adestrada para qualquer ação militar desde o tempo de paz, em garantia da segurança nacional.

Com a finalidade de cumprir o seu desígnio constitucional, a FAB necessita de um sistema de apoio logístico, que permita iniciar e dar continuidade às ações operacionais, de modo a ser empregado com a máxima eficácia quanto ao fluxo do material. Cabe à Diretoria de Material Aeronáutico e (DIRMAB), organização do Comando da Aeronáutica, as atribuições de direção, normatização, coordenação, supervisão e controle do apoio logístico de material e serviços7.

É notório que tal apoio seja efetuado de forma a atender aos requisitos operacionais da Força e que, para alcançar os objetivos pré-determinados, é de vital importância a existência de um sistema de material que adote procedimentos os quais visem à redução no Tempo de Recuperação e Retorno8 (TRR) de material e na minimização de custos, fatores esses cruciais e extremamente relevantes para o atingimento da operacionalidade acima descrita.

Este trabalho demonstrará a importância do fluxo de material reparável, quando submetido ao processo de recuperação.



1. Estrutura do sistema de material aeronáutico (SISMA)


Trata-se de um sistema instituído com a finalidade de planejar, orientar, coordenar, executar e controlar as atividades de suprimento e manutenção do material aeronáutico e do Comando da Aeronáutica.

EMAER


FIGURA 1 – Organograma sistêmico


A estruturação orgânica do SISMA possui basicamente três níveis assim dispostos:

  1. nível direção: nele se situam as atividades de planejamento, inspeção, coordenação e controle do sistema, sendo a DIRMAB seu Órgão Central;

  2. nível coordenação: nele se situam as atividades de supervisão do apoio de suprimento e manutenção para o emprego das Unidades Aéreas, sendo as Quartas-Seções (A-4) dos Grandes Comandos e Forças Aéreas subordinadas responsáveis por tais atividades; e

  3. nível execução: onde se situam as atividades de planejamento, coordenação e controle da execução e a execução propriamente dita, tendo os Parques de Material Aeronáutico (PAMA), Bases Aéreas e Unidades Aéreas (Uae).

Os PAMA são os órgãos executivos do Sistema de Material da Aeronáutica, responsáveis por todas as providências necessárias às atividades de suprimento e de manutenção dos itens aeronáuticos, apoio técnico aos operadores e controle geral de uma aeronave ou equipamento aeroespacial, atribuídas pelo Órgão Central do Sistema, os quais conhecem perfeitamente a situação dos equipamentos de aplicação nas aeronaves sob seu gerenciamento.

O Parque Central é o gestor do projeto9 como um todo, inclusive dos componentes eventualmente atribuídos a um ou mais Parques Oficinas10.

A Base Aérea é definida como a área geográfica que dispõe de pista de pouso ou heliporto e instalações de infra-estrutura compatíveis, onde estão sediadas as Unidades Aéreas.

Unidade Aérea é a organização militar que reúne meios aéreos de emprego e meios de apoio em suprimento e manutenção necessários à sua eficiência, dispondo de meios de apoio auxiliares e administrativos.

A estrutura do Sistema de Material da Aeronáutica não possui um caráter hierárquico, mas sim normativo, pois estabelece uma estrutura que permite o fluxo de informações independentemente da cadeia hierárquica, não interferindo nas atividades normais dos Comandos Operacionais e Unidades Subordinadas. O fluxo das informações proporcionará o Comando da Aeronáutica cumprir: “O seu preparo e emprego, visando à consecução ou à manutenção dos Objetivos Aeroespaciais Permanentes, tanto em tempo de paz como em períodos de conflito.”(DMA 15-1)


2. Fluxo Logístico do material aeronáutico


Este artigo demonstrará a importância do fluxo do material aeronáutico, a fim de permitir um emprego operacional das aeronaves e equipamentos da Força Aérea Brasileira. Para inserir o nosso leitor no mundo da logística e com o propósito integrá-lo ao nosso dia-a-dia, e tornar a leitura agradável, citaremos um exemplo prático de um fluxo logístico de material aeronáutico.

Considere o seguinte exemplo: a aeronave KC-137, matrícula 2404, da Unidade Aérea do 2º/2º Grupo de Transporte sediado na Base Aérea do Galeão, utilizada para realizar missões de reabastecimento aéreo, transporte logístico e de pessoal, como ocorrido durante o conflito no oriente médio para retirada dos brasileiros daquela região, necessita ser submetida a uma manutenção programada11 no Esquadrão de Suprimento e Manutenção (ESM), na referida Base. Como esse tipo de manutenção requer substituições de peças e equipamentos, e para que a Seção de Suprimento do ESM possa obter êxito em sua missão, a mesma contará com um suprimento capaz de apoiar a manutenção na execução das suas atividades, pois, desta forma, resultará em uma frota operacional.

Assim, para realizar o apoio logístico necessário, o fluxo de materiais é uma atividade dinâmica que requer um planejamento controlado, pois a seção de suprimento do ESM conta com o completo apoio da Subdivisão de Suprimento do Parque Central12.

Retornando a nossa manutenção programada, considere uma pane no conjunto da bomba de combustível, Part Number13 (PN) 10470-2. Como se trata de um material reparável14, o responsável por sua manutenção deverá removê-lo da aeronave e recolhê-lo à Seção de Suprimento do ESM, quando, então, receberá um novo item em substituição àquele entregue. O especialista em suprimento do ESM encaminhará o item avariado ao Parque Central que tomará as devidas providências quanto à sua recuperação.

Observa-se uma operação simples, mas de suma importância para que todo o processo de recuperação do material aeronáutico seja concluído. Logo cabe ao especialista em suprimento fazer o gerenciamento desse fluxo de materiais na Força Aérea Brasileira tanto num PAMA quanto numa Base.

Em decorrência desse cenário, surge, então, a necessidade de que seja realizada uma Manutenção Nível Parque15 no item, ora, recolhido.

Em ato contínuo, o especialista em suprimento deverá providenciar o recolhimento físico do PN 10470-2 ao Parque de Material Aeronáutico do Galeão (PAMA-GL) e registrá-lo no Sistema Integrado Logístico de Materiais e Serviços (SILOMS), que possui a finalidade de controlar o fluxo deste material em todas as suas fases que, se bem operacionalizadas, permitirão sua pronta recuperação colocando-o, novamente, em condições de uso.

A participação do Parque Central (PAMA-GL) no fluxo desse material será constituída pelos seguintes setores mostrados na FIG. 2, que atuarão de forma conjunta, para não permitir que o item se torne crítico ao sistema.



FIGURA 2 – Participação do Parque Central (PAMA-GL)



Quando da chegada do item no PAMAGL, a Subdivisão de Suprimento terá a incumbência de receber, armazenar, controlar e distribuir o material, cabendo à Subdivisão de Planejamento (TPLJ) determinar a melhor maneira de recuperar o item, através do delineamento e da capacitação técnica instalada nas Oficinas, a fim de que o mesmo seja incluído no Programa de Trabalho16 Anual do Parque.

No PAMA-GL, o material será recebido fisicamente no Armazém de Recebimento, que realizará uma verificação e uma conferência minuciosas e onde serão levantados os dados de identificação do material.

Será feita, ainda, a análise de suas fichas de controle de manutenção e, em seguida, terá seus registros de movimentação física lançados no SILOMS.

Como o material está avariado, esse deverá ser encaminhado para o armazém de recuperáveis, que realizará nova conferência e recebimento no SILOMS, quando automaticamente é gerada uma solicitação de serviço para o material, junto ao Controle de Ordem de Serviço17 (TCOS).

Em seguida, o item permanecerá estocado no Armazém de Recuperáveis aguardando autorização da para efetivação do serviço de reparação. Após verificação da viabilidade de recuperação do material, à TPLJ informará a Oficina responsável e a data de conclusão da recuperação do item. Neste momento a TCOS disponibilizará a Ordem de Serviço (OS) no SILOMS para que os técnicos do Armazém de Recuperáveis possam enviá-lo para recuperação.

Na oficina, o material será restabelecido à sua condição de uso e retornará ao Armazém Recebimento. Todo esse processo será monitorado pelo SILOMS, que acompanhará os “passos” do material nos setores envolvidos. Neste momento, o especialista em suprimento contará com o procedimento de cross-docking18 pelo qual o item já, devidamente, recuperado será encaminhado diretamente da Subseção de Recebimento para a Subseção de Expedição, sem passar pela Subseção de Utilizável, que o enviará para o destino previamente determinado pelo CCOS, como demonstrado no fluxo abaixo. Após esse processo, neste caso, o item será fornecido em seguida ao ESM da BAGL que poderá contará novamente com o material disponível para utilização.

2/2 GT

BAGL

PAMA-GL


















FIM





FIGURA 3 – Fluxograma do PAMA-GL

3. CONCLUSÃO


Tendo em vista a escassez orçamentária que reduz significativamente o atingimento de metas pré-estabelecidas, principalmente da recuperação do material aeronáutico no Programa de Trabalho Anual, faz-se necessário, aliada à correição nos gastos públicos, a correta aplicação de recursos na quantia disponível em áreas que deles necessitem.

Para tanto, fica evidente que o controle do material recuperável implica um comprometimento de todos aqueles que com ele lidam, sendo fundamental sua correta aplicação e manutenção por parte dos operadores de manutenção e, sobretudo, um controle eficiente, que permita a rastreabilidade do item com informações confiáveis, por parte dos profissionais especialistas em suprimento, pois o controle desse material está sob seu encargo, cabendo-lhe tal responsabilidade até sua aplicação final, permitindo desta forma cumprir a missão constitucional da Força Aérea Brasileira, suficiente e em tempo.



REFERÊNCIAS


  1. BRASIL. Comando da Aeronáutica. Glossário da Aeronáutica MCA 10-4, 2001.

  2. BRASIL. Comando da Aeronáutica. Manual de Suprimento MCA 67-8, Vol. 1, 2001.

  3. BRASIL. Comando da Aeronáutica. Norma do Sistema de Material da Aeronáutica NSMA 65-1, 1995.

  4. PEREIRA, JOAQUIM. Comissão de Logística. A integração de operações logísticas entre parceiros de negócios: inventário versus inteligência. Publicado no Jornal de Negócios em 7.11.2002. Disponível em: <http://www.processo.pt>. Acesso em: 06 jun. 2005.



AGRADECIMENTOS

Contribuíram, também, na leitura deste trabalho os seguintes instrutores: Cap Vandelli, Ten Fernandes, Ten Cherem, Ten De Sá e Ten Araújo.


Grupo: Benedito, Avila, Alexandre, Renan e Marcondes.

1 CFOE SUP. TÉC. Servia em 2005 na Base Aérea de Manaus, como Encarregado do Projeto VC-97 e C-98. Bacharel e Licenciado em Letras.

2 CFOE SUP. TÉC. Servia em 2005 na Base Aérea de Canoas, como Encarregado do Centro de Distribuição e Controle de Publicações. Bacharel em Arquivologia.

3 CFOE SUP. TÉC. Servia em 2005 na Escola de Especialistas de Aeronáutica, como Instrutor da Subseção de Ensino de Suprimento. Bacharel em Administração de Empresas.

4 CFOE SUP. TÉC. Servia em 2005 no Parque de Material Bélico, como Encarregado do Armazém de Recebimento e Expedição. Licenciado em Matemática.

5 CFOE SUP. TÉC. Servia em 2005 na Escola Preparatória de Cadetes-do-Ar, como Encarregado do Controle de Estoque do Almoxarifado. Bacharel em Administração.

6 Leitor Técnico; serve na Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico, é Chefe da Divisão de Suprimento e Coordenador e Instrutor do Curso de Formação de Oficiais Especialistas em Suprimento Técnico..

7 Apoio Logístico de Material e Serviços: conjunto de atividades relativas à previsão e à provisão dos recursos de toda a natureza, que visa assegurar a satisfação das necessidades de material na quantidade, momento e local adequados

8 Tempo de Recuperação e Retorno - TRR: Tempo que o material leva para sair e retornar, em condições de uso, à Unidade.

9 Projeto: É o conjunto de controle e informações referentes a um determinado tipo de aeronave, equipamento ou agrupamento de itens afins.

10 Parque Oficina: Órgão executivo do SISMA, responsável por todas as providências necessárias às atividades de suprimento, manutenção, apoio técnico aos operadores e controle geral de determinados itens reparáveis, quando o programa de trabalho da aeronave ou equipamento aeroespacial ao qual pertencem é atribuição de um outro parque.

11Manutenção programada: É a ação de manutenção realizada em aeronaves, equipamentos ou componentes, em intervalos preestabelecidos, constantes, usualmente no plano de manutenção do equipamento.

12 Parque Central: Órgão responsável por todas as ações para prestar o apoio de suprimento a algum tipo de aeronave ou equipamento ao longo do seu ciclo de vida.

13 Part Number: Número de Peça que individualiza o item.

14 Material Reparável: É o material suscetível de sofrer algum tipo de reparo, geralmente mais elaborado, que necessita de mão-de-obra especializada, equipamentos de apoio específicos e publicações técnicas.

15 Manutenção Nível Parque: Consiste em todas as operações necessárias à restauração do equipamento desgastado ou danificado e à revisão periódica de conjuntos, acessórios e itens auxiliares.

16 Programa de Trabalho: É a quantidade de serviço de manutenção em aeronaves, equipamentos ou componentes, produzida pelos órgãos do Sistema de Material Aeronáutico e .

17 Controle de Ordem de Serviço: Setor responsável por autorizar a abertura das Ordens de Serviço

18 Cross Docking: É um processo que minimiza as operações de movimentação de material e elimina as de estocagem.